Cartas de amor
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.”
Esse trecho do poema de Álvaro de Campos (ou Fernando Pessoa, dependendo da hora do dia) sempre me impressionou. É uma daquelas coisas que todo mundo sempre sentiu, mas precisava de um gênio para colocar no papel. Quem alguma vez já leu alguma carta antiga de um amor passado vai me dar razão: somos ridículos amando. Principalmente os homens.
Mulheres parecem que nasceram para amar, já nós, ficamos como pisando em um terreno alienígena, completamente desconhecido. Não sabemos como reagir, ficamos sem fala, sensíveis, choramos, rimos de nervoso, enfim, ficamos parecendo mulherzinhas. Isso mesmo: mulherzinhas. Porque todo homem foi criado para ser senhor de si, seguro e confiante, um conquistador, e não um conquistado.
Veja bem: não estou falando que homens amem mais que mulheres, apenas que o amor não combina com a masculinidade. Pelo menos não com o estereotipo de macho. O garoto passa a infância vendo filmes de ação, idolatrando o Action Man, o Super-Homem e todos os outros chutadores-de-traseiro do pedaço, e chegando na adolescência se vê tendo que escolher se manda um buquê de rosas ou margaridas. É mais fácil escapar de um trem-bala desgovernado!
Quando amamos parecemos entrar em outro mundo, onde tudo é mais calmo e belo. Mas só o amante tem acesso a esse mundo. Quem olha de fora, do mundo normal, só vê um cara babando e suspirando por alguma Maria-sem-vergonha. É mais ou menos como piada de bêbado: só quem bebeu que vê a graça. Só quem está apaixonado entende um companheiro nesse mesmo estado. Para os outros ele é um ridículo que não muda de assunto. “De novo essa menina! Não muda de assunto não?”

