Caga Regra

Um blog de cagação de regra explícita. Tire as crianças da frente do computador. Aqui cagarei regra sobre todo e qualquer assunto que apareça na minha frente. Sem dó nem piedade. Esse blog é atulizado todo sábado. Então volte semana que vem para ver a nova cagada.

Sábado, Fevereiro 26, 2005

Cartas de amor

“Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.”

Esse trecho do poema de Álvaro de Campos (ou Fernando Pessoa, dependendo da hora do dia) sempre me impressionou. É uma daquelas coisas que todo mundo sempre sentiu, mas precisava de um gênio para colocar no papel. Quem alguma vez já leu alguma carta antiga de um amor passado vai me dar razão: somos ridículos amando. Principalmente os homens.

Mulheres parecem que nasceram para amar, já nós, ficamos como pisando em um terreno alienígena, completamente desconhecido. Não sabemos como reagir, ficamos sem fala, sensíveis, choramos, rimos de nervoso, enfim, ficamos parecendo mulherzinhas. Isso mesmo: mulherzinhas. Porque todo homem foi criado para ser senhor de si, seguro e confiante, um conquistador, e não um conquistado.

Veja bem: não estou falando que homens amem mais que mulheres, apenas que o amor não combina com a masculinidade. Pelo menos não com o estereotipo de macho. O garoto passa a infância vendo filmes de ação, idolatrando o Action Man, o Super-Homem e todos os outros chutadores-de-traseiro do pedaço, e chegando na adolescência se vê tendo que escolher se manda um buquê de rosas ou margaridas. É mais fácil escapar de um trem-bala desgovernado!

Quando amamos parecemos entrar em outro mundo, onde tudo é mais calmo e belo. Mas só o amante tem acesso a esse mundo. Quem olha de fora, do mundo normal, só vê um cara babando e suspirando por alguma Maria-sem-vergonha. É mais ou menos como piada de bêbado: só quem bebeu que vê a graça. Só quem está apaixonado entende um companheiro nesse mesmo estado. Para os outros ele é um ridículo que não muda de assunto. “De novo essa menina! Não muda de assunto não?”

Sábado, Agosto 28, 2004

Penso, logo falo merda.

Quem me conhece ou quem já me leu sabe que eu falo muita merda. Juro (por Deus!) que tento falar o mínimo possível, mas sempre acaba escapando alguma. E por causa disso que eu acabo me contradizendo algumas vezes. Minha contradição é a prova que eu continuo pensando, que eu estou aprendendo, que eu existo (dá-lhe René “Penso, logo existo” Descartes!). Todo mundo é uma metamorfose ambulante, só que alguns fingem que não.

Não quero ficar como Pangloss, o filósofo otimista do livro “Cândido” do Voltaire. Citei ele na semana passada. Ele acreditava que o nosso mundo era “o melhor dos mundos, e “as coisas ruins do mundo são como as sombras em um quadro belíssimo”. Durante toda a sua vida, Pangloss sofreu bastante, e viu muito sofrimento também. Mas morreu defendendo tudo o que tinha dito, mesmo que não acreditasse mais, porque “um filósofo não pode mudar de idéia”.

Isso foi uma crítica de Voltaire aos filósofos positivistas da sua época, mas essa carapuça não serviria muito bem em nossa sociedade judaico-cristã-ocidental, seu Casseta? Vocês não lembram do rebuliço que deu quando o nosso ex FHC disse “esqueçam o que eu escrevi”? Até hoje ligamos mudança de opinião com fraqueza. Você se sente mal quando perde uma discussão? Mas não devia. Você aprendeu algo, o outro que ganhou não: ele já sabia.

Esse medo de falar merda, medo de estar errado e, com isso, demonstrar “fraqueza” (entre aspas sim, porque ninguém sabe tudo) gerou o que meu amigo Homo Toscus batizou de “cultura do Ctrl C + Ctrl V”. São as pessoas simplesmente passando para frente (foward, no vocabulário e-mailtico) pensamentos de outrem, livrando-se assim da responsabilidade que é a paternidade de uma idéia. Que isso, gente! Botar pra fora um pouco de merda às vezes não faz mal, pelo contrário, é essencial para nosso organismo. E fede mesmo, não tenham vergonha. Fale merda sim! Mas com moderação (não exagerem como eu!).

Sábado, Agosto 21, 2004

O mundo está uma bosta

Quem não concorda que o mundo está uma porcaria, que está tudo errado no planeta? Eu. É isso mesmo, eu não acho que o mundo é uma bosta, e antes que você me venha com uma lista das mazelas mundiais, eu lhe pergunto: o mundo está uma merda comparado a quê?
Por acaso você conhece um mundo melhor que o nosso?

Porque você só classifica se tem um parâmetro, e você só forma um parâmetro comparando objetos de uma mesma categoria. Eu acho a Daniela Cicarelli maravilhosa porque eu já vi outras mulheres, e estabeleci meu parâmetro de beleza feminina. Eu não posso dizer se um vinho é bom ou ruim se eu não tiver bebido outros vinhos antes. Toda classificação é uma comparação. (parece até texto da Playboy, falando de vinhos e mulheres... estou me sofisticando)

A qual mundo comparam nossa Terra ao falarem mal dela? A um mundo após a morte? Não, acho que os relatos sobre esse mundo não são muito precisos... A um planeta alienígena? Bom, quantos você conhece? Podem comparar a um planeta Terra do passado, mas quando que a terra foi melhor que agora? Quando um corte infeccionado significava a sua morte? Reclamam da desigualdade social, mas a alguns séculos atrás a própria mobilidade social seria considerada um sacrilégio, questionar a justiça divina.

Comparam a terra em que vivemos com uma terra ideal, uma utopia. Claro que ela será melhor do que a terra real. Podemos imaginar tudo o que gostaríamos que fosse diferente, mas será que nossa imaginação seria viável, será que realmente seria melhor? Cada pessoa tem uma visão diferente do que é o mundo ideal, então o melhor dos mundos para uma pessoa pode ser o pior para a outra. Tanta cagação de regra foi só pra falar que o mundo não é uma bosta, ele é o que foi possível. Não é o melhor dos mundos possíveis (como o personagem Pangloss do livro “Cândido” de Voltaire falava), nem o pior. É o único.

Sábado, Agosto 14, 2004

Eu discuto comigo

Talvez por ser filho único, eu falo muito sozinho. Talvez por ser cagador de regra, eu às vezes discordo das coisas que falo. Moro em um bairro só de casas, bastante tranqüilo, com poucas pessoas andando nas ruas (São Francisco, Niterói, pra quem conhece). Isso me dá toda a liberdade que preciso para entrar em um embate sobre a inconstância do ser no caminho até a padaria sem ninguém (além de mim mesmo) me achar maluco.

Eu me sinto às vezes um personagem teatral. Porque quando um personagem de teatro pensa em algo importante para o entendimento da peça, ele fala. “Claro, senão os expectadores não saberiam o que ele está pensando”, você diria. Se aquelas teorias conspiratórias malucas estiverem certas e sejamos observados e monitorados todo o tempo, pelo menos eu proporciono algum divertimento.

Mas de uns tempos pra cá, tenho pensado mais do que nunca nesse assunto. Isso porque acabei de ler o “Livro dos médiuns”, de Alan Kardec. – Eu não sou espírita, nem faço parte de nenhuma outra religião. Eu realmente não consigo “ter fé”, acreditar cegamente em algo. Suspeito até que boa parte da minha angústia e ansiedade venha da minha falta de crenças, mas acreditar em algo não é uma coisa que se escolhe, você simplesmente crê ou não. – Voltando ao assunto, lendo o livro do Kardec, descobri que posso não estar falando exatamente sozinho, mesmo sem ter nenhum ser humano vivo ao meu lado.

Eu morro de medo de fantasmas, espíritos, aparições, velha da gudéia, pombagira, e coisas do gênero, mas eu tenho uma curiosidade bem maior que o meu medo. Por mais que eu morra de medo disso tudo, eu adoro ler suas histórias fantásticas (nem que seja apenas como literatura) e até fico torcendo para ver alguma aparição (por mais que suspeite que teria um ataque cardíaco nesse caso). Se descobrisse que em todas as vezes que fiquei discutindo comigo estivesse, na verdade, conversando com um espírito, acho que viveria morto de medo, mas pelo menos me acharia menos maluco.

Terça-feira, Julho 13, 2004

Americano é a mãe!

Semana passada caguei regra sobre o Orkut. Como todo bom cagador de regra precisa também ser chato e insistente, volto ao assunto. É que já faz algum tempo que tenho recebido mensagens de correntes via Orkut propondo a todos os brasileiros se declararem iraquianos em suas informações pessoais para, segundo o criativo agitador anônimo, “irritar os americanos”.

Falar mal de americano virou passatempo nacional. Já faz parte do senso comum brasileiro que americano é burro e bitolado. Se alguém comete a erro de falar bem dos gringos em frente aos intelectuais de nossa nação, é imediatamente rechaçado e humilhado. Achamos (nós, brasileiros espertos) que qualquer um que defenda os EUA só pode estar profundamente desinformado.

Só gostaria de entender como nosso sistema de ensino público deficitário consegue superar as high schools e universidades dos EUA. Gostaria de saber também como um país de analfabetos consegue ser mais sabido que o país com mais prêmios Nobel por metro quadrado. Falamos tanto da burrice do Bush, formado em Harvard, enquanto temos um presidente torneiro mecânico.

Cega de ódio, a pseudo-intelectualidade brasileira não consegue ver nada de bom que venha dos EUA e nada de ruim que venha do Brasil. Já escutou aquela história de que maluco acha que todo mundo é maluco e só ele é são? Pois é, cuidado quando achar que todo americano é bitolado, porque o bitolado pode ser você.

Criticar os EUA é fácil. Eles tem poder para fazer muitas merdas, nós do Brasil não. É como criticar seu patrão por ser opressor. Os empregados nem podem ter esse defeito: eles não têm ninguém pra oprimir! Eu não vou mudar meu país no Orkut pra encher o saco dos americanos não. Pra isso existem o João Gilberto e o Caetano Velloso.

Domingo, Julho 04, 2004

Orkut, (Saúde!) uma doença nacional

Peço desculpas a todos os meus 2 leitores (contando comigo e com você), por não ter escrito nesses dias. Estava muito ocupado tentando finalmente me formar na minha faculdade de publicidade. Se tudo correr bem, essa semana que vem serei um homem formado, e não essa massa disforme que sou hoje.


Orkut! Saúde! – Uma doença nacional


Todo mundo só fala nisso. Todo mundo só pensa nisso. Seja em casa ou no trabalho, de manhã ou de noite, ta todo mundo lá. E mesmo assim tem sempre algum desavisado que acaba perguntando: “Mas para que serve essa porra (sic) de Orkut?” E a resposta dos especialistas é sempre clara e simples: “Sei lá!”.

A idéia é genial: o Orkut junta em um mesmo lugar página pessoal, fotolog, fórum, tudo interligado a uma imensa rede onde só entra quem conhece quem é de dentro. É uma panelinha que não pára de crescer. Foi uma idéia de americanos que os brasileiros literalmente tomaram conta. Agora existem mais Brasileiros no Orkut do que onde o Orkut começou, os EUA. 36% dos nerds do orkut são brasileiros e apenas 26% são americanos! Quem será que foi o primeiro americano que cometeu a burrice de chamar um brasileiro para a panelinha americana?

Brasileiro é foda! A gente vai pra Disney e fica roubando os brinquedinhos das lojas, faz zona no hotel, dá porrada no Mickey... Somos uma praga para os americanos. Somos terroristas sem causa nenhuma. Não é a toa que os americanos controlam nossa entrada na terrinha deles. Eles não são doidos! Iríamos invadir e tomar conta, e fazer uma zona desgraçada, como fizemos no Orkut.

Foi nossa a idéia retardada (mas muito engraçada) de inventar perfis de personalidades como Osama Bin Laden, Pedro Di Lara e Saddam Hussein. E foram as nossas mentes criativas que inventaram comunidades como “Eu sempre escolho o Sub-zero”, “Como ou não como” e “Mijões de plantão”. Nós não nos damos nem ao trabalho de escrever nossos perfis em inglês. Mas o que nós vimos no Orkut? Estamos lá só pra encher o saco dos gringos?

Aqui onde eu moro, Niterói, tem um espaço de convivência chamado Saco e São Francisco. São vários barzinhos, um do lado do outro na orla do bairro de São Francisco. Bom, existem pessoas (a maioria, convenhamos) que vão lá apenas para ver e ser visto, para encontrar com outro e falar: “Oi! Tudo bem! Tá sumido! E o pessoal! Vamos marcar algo! Tenho que ir! Tchau!”, para no outro dia comentar que viu fulano no Saco. O Orkut é um Saco virtual. A pessoa é vista e vê todo mundo sem nem sair de casa. Aí, ao invés de comentar que viu cicrano no Saco, fala que viu no Orkut.

Brasileiro é amigo de todo mundo, até dos piores inimigos. Eu, por exemplo, chamo até motorista de ônibus de amigo. Nós adoramos ter muitos amigos. Vamos para o Orkut e qualquer pessoa que tenhamos visto pelo menos uma vez na vida já colocamos como nossos maiores amigos. Por isso que tem tanto brasileiro, porque chamamos todo mundo para entrar no Orkut. Fazemos uma “figuração” sem sair de casa, e até o mais solitário dos humanos descobre que tem uma centena de amigos. Naum dá. O Orkut foi feito para nós.

Sábado, Maio 22, 2004

Pokemón, beleza, tortura e religião não se discute

Rinha de Pokémons

Você já viu Pokémon? Se você foi uma daquelas crianças que tacava gato da janela do apartamento ou jogava pedra em cachorro de rua, não vai ver nada de mais. Mas se você acha que bichinhos de estimação são feitos para ser amados, acariciados e abraçados, vai ter uma grande surpresa com a naturalidade que a crueldade com os animais é tratada nessa atração infantil. Pokemón é um desenho sobre crianças que colocam seus animaizinhos de estimação para brigar

Adoro desenhos falando de guerras, com muitos tiros, explosôes e até mortes. Mas estou acostumado a ver violência sempre como um ato extremo, na maioria dos desenhos antigos (He-man, Cavaleiros do Zodíaco, Caverna do Dragão, etc) um personagem tendo que apelar para a violência para defender seus amigos. No desenho animado Pokemón é exatamente o contário. A violência não é para defender ninguém, mas para o "treinador pokémon" evoluir em sua carreira. O treinador pokémon precisa conseguir o carinho e a amizade de diversos pokemóns e convencê-los a morarem trancafiados em pokebolas lutar por eles em competiços que parecem rinhas de galos, proibidas em diversos países.

A mensagem do desenho é clara: use seus amigos para evoluir em sua carreira sem se importar com o que possa acontecer com eles. E o grande problema de um desenho com essa mensagem é que a maioria não percebe que um desenho tão colorido bunitinho possa ter uma mensagem tão pesada. Não sou a favor da sensura. Pelo contrário: sou a favor de uma opção cada vez maior de desenhos para a criança escolher os que achar melhor. Acho que o que as crianças vêem na TV precisa ser tema de discussão nas salas de aula. Os professores precisam parar de achar que cultura infantil é só "Sítio do Pica-Pau Amarelo" e histórias de fadinhas e bruxinhas. A escola precisa entar em contato com a realidade.


Feia não! Esquisita.

Você é feia? Seus problemas acabaram! Não, não é nehum produto das Organizações Tabajara não. É uma revolução estética que está tomando conta das ruas (principalmente das boates alternativas) e um de seus de seus ícones máximos é a apresentadora da MTV Penélope. O negócio é o seguinte: as feias estão cada vez mais se enchendo de apetrechos para disfarçar a sua feiura, e se tornam apenas esquisitas. Elas decidiram que como não concordam com a estética dominante, vão tomar axatamente o caminho oposto. Agumas meninas se enchem de piercings e tatuagens, não pegam sol, se ecnhem de tatuagens, fazem um penteado esquisito e se vestem cosse se fossem daltônicas. Quanto pior for a criatura, mais técnicas ela faz uso.


Barbárie ou Incompetência?

Sobre a festinha de arromba dos carcereiros na prisão de Abu Ghraib, os "senhores da guerra" americanos optaram pela segunda opção. Os moradores da favela que Rosinha (finado Rio de Janeiro) sabem bem que a barbárie é vizinha da incompetência. E elas adoram trocar receitas.


Igreja virtual

Os evangélicos já dominaram o mundo agora vão dominar a rede. Piada? Parece... Mas é seríssimo. Os evangélicos já tem os EUA, com o inconsequente Bush, e nós aqui sofremos com a hipocrisia do Garotinho e Rosinha. Clique aqui e veja por vicê mesmo(a). O nome da igreja virtual é Church of Fools. Eu tenho medo de evangélicos, e você?